
O diabetes mellitus é uma doença caracterizada pelo aumento da glicose no sangue, chamado de hiperglicemia. Isso acontece quando o organismo não produz insulina em quantidade suficiente, não consegue utilizar adequadamente a insulina produzida ou apresenta uma combinação dessas alterações.
Existem diferentes tipos de diabetes. Os mais conhecidos são o diabetes tipo 1 e o diabetes tipo 2, mas suas causas e formas de tratamento são diferentes.
O diabetes tipo 2 (DM2) é o mais comum e costuma se desenvolver de forma gradual. Muitas pessoas passam anos com alterações da glicose sem apresentar sintomas claros, o que torna importantes o rastreamento e o diagnóstico precoce, principalmente em quem apresenta fatores de risco.
Além do aumento da glicose, o diabetes tipo 2 frequentemente está associado a outras condições, como obesidade, hipertensão e alterações do colesterol. Por isso, atualmente o tratamento não busca apenas “baixar o açúcar no sangue”, mas reduzir o risco de complicações e cuidar da saúde como um todo.
Neste artigo, você vai entender quais são os sintomas de diabetes, como é feito o diagnóstico, o que é pré-diabetes, quais são os principais tipos de diabetes e como funciona o tratamento do diabetes tipo 2.
1. O que é diabetes?
O diabetes mellitus é um grupo de doenças que têm em comum a presença de níveis elevados de glicose no sangue.
Para entender por que isso acontece, é importante conhecer a função da insulina. Esse hormônio é produzido pelas células beta do pâncreas e tem papel fundamental no controle da glicose, permitindo que ela seja utilizada pelos tecidos e ajudando a manter sua concentração no sangue dentro de uma faixa adequada.
No diabetes, esse sistema deixa de funcionar adequadamente.
No diabetes tipo 1, ocorre destruição autoimune das células beta do pâncreas, levando à deficiência de insulina.
Já no diabetes tipo 2, existe uma combinação de resistência à ação da insulina e redução progressiva da capacidade do pâncreas de produzir insulina suficiente para as necessidades do organismo.
Por isso, embora todos os tipos de diabetes possam causar aumento da glicose, eles não são a mesma doença e podem exigir estratégias de tratamento diferentes.

2. Quais são os sintomas de diabetes?
O diabetes tipo 2 pode não causar sintomas, principalmente nas fases iniciais. Por esse motivo, algumas pessoas descobrem a doença apenas ao realizar exames de rotina.
Quando a glicose aumenta de forma mais significativa, podem surgir sintomas como:
- Sede excessiva;
- Urinar com maior frequência e em maior quantidade, inclusive durante a noite;
- Aumento da fome;
- Perda de peso sem intenção;
- Cansaço e fraqueza;
- Visão embaçada;
- Infecções recorrentes, principalmente urinárias, genitais ou de pele;
- Feridas com cicatrização mais lenta.
A combinação de muita sede, aumento importante da quantidade de urina e perda de peso sem explicação merece atenção.
No diabetes tipo 1, os sintomas costumam surgir de forma mais rápida e podem ser intensos. Em algumas pessoas, a primeira manifestação pode ser uma complicação aguda chamada cetoacidose diabética.
Já no diabetes tipo 2, a evolução geralmente é mais lenta. Por isso, não é necessário esperar o aparecimento de sintomas para investigar a doença. Pessoas com maior risco podem precisar realizar exames mesmo se estiverem se sentindo bem.
3. Quais são os tipos de diabetes?
Existem diferentes tipos de diabetes. Os principais são o diabetes tipo 1, o diabetes tipo 2 e o diabetes gestacional.
Existem ainda formas menos comuns relacionadas a alterações genéticas, doenças do pâncreas, outras doenças endócrinas ou ao uso de determinados medicamentos.
Identificar corretamente o tipo de diabetes é importante porque o tratamento pode ser diferente.
Diabetes tipo 1
O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune. O sistema imunológico destrói progressivamente as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina.
É mais frequente em crianças e adultos jovens, mas pode surgir em qualquer idade, inclusive na vida adulta.
Como existe deficiência importante de insulina, seu uso é necessário para o tratamento desde o diagnóstico e deve ser mantido continuamente.
Os sintomas costumam aparecer de forma mais rápida do que no diabetes tipo 2 e podem incluir muita sede, aumento da quantidade de urina, fome, perda de peso e cansaço.
Diabetes tipo 2
O diabetes tipo 2 é a forma mais comum de diabetes e o principal foco deste artigo.
Ele ocorre pela combinação de resistência à ação da insulina com uma redução progressiva da capacidade do pâncreas de produzir insulina suficiente para as necessidades do organismo.
É mais frequente em adultos, mas não é uma doença exclusiva de pessoas idosas.
Sobrepeso e obesidade, histórico familiar, sedentarismo, envelhecimento e algumas condições metabólicas ou hormonais estão entre os fatores associados a maior risco.
Como costuma se desenvolver lentamente, uma pessoa pode permanecer durante anos sem sintomas evidentes.
O tratamento pode envolver mudanças no estilo de vida, controle do peso, diferentes medicamentos e, em algumas situações, insulina.
Diabetes gestacional e outros tipos de diabetes
O diabetes gestacional é diagnosticado durante a gestação e possui critérios e acompanhamento específicos.
Existem ainda tipos menos comuns de diabetes relacionados a alterações genéticas, doenças do pâncreas, outras doenças endócrinas ou determinados medicamentos.
Além disso, formas autoimunes de diabetes podem aparecer em adultos e, inicialmente, apresentar características semelhantes às do diabetes tipo 2. Quando existem dúvidas sobre a classificação, a história clínica e exames específicos podem ajudar a definir o diagnóstico.
4. Quem tem maior risco de desenvolver diabetes tipo 2?
Algumas características aumentam a probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2, entre elas:
- Sobrepeso ou obesidade, especialmente com maior acúmulo de gordura abdominal;
- Histórico familiar de diabetes tipo 2;
- Aumento da idade, embora adultos jovens também possam desenvolver a doença;
- Sedentarismo;
- Pré-diabetes;
- Histórico de diabetes gestacional;
- Síndrome dos ovários policísticos;
- Hipertensão arterial;
- Alterações do colesterol ou triglicérides;
- Doença cardiovascular ou outras condições associadas à resistência à insulina.
Ter um ou mais desses fatores não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá diabetes, mas pode indicar maior necessidade de rastreamento e prevenção.
Quem deve fazer exames para diabetes?
De maneira geral, recomenda-se o rastreamento do diabetes tipo 2 em adultos a partir dos 35 anos.
A investigação pode ser indicada antes dessa idade em pessoas com sobrepeso ou obesidade associada a outros fatores de risco, como histórico familiar de diabetes, hipertensão, alterações do colesterol, síndrome dos ovários policísticos ou diabetes gestacional prévio.
Pessoas que já apresentam pré-diabetes também precisam de acompanhamento periódico.
A frequência dos exames deve ser individualizada conforme os resultados anteriores e os fatores de risco de cada pessoa.

5. Como saber se tenho diabetes? Quais exames fazem o diagnóstico?
O diagnóstico do diabetes é feito por meio de exames de sangue.
Os principais são:
- Glicemia de jejum: valores iguais ou superiores a 126 mg/dL podem indicar diabetes;
- Hemoglobina glicada (HbA1c): valores iguais ou superiores a 6,5% podem indicar diabetes. Esse exame não exige jejum, mas algumas condições podem interferir no resultado;
- Teste oral de tolerância à glicose (TOTG): após a ingestão de 75 g de glicose, valores iguais ou superiores a 209 mg/dL em 1 hora ou 200 mg/dL em 2 horas são compatíveis com diabetes;
- Glicemia ao acaso: um resultado igual ou superior a 200 mg/dL na presença de sintomas clássicos de hiperglicemia pode estabelecer o diagnóstico.
Em uma pessoa sem sintomas, um resultado alterado isoladamente geralmente precisa ser confirmado. Isso pode ser feito repetindo o mesmo exame ou utilizando dois testes diagnósticos diferentes, conforme a situação.
Glicemia normal, pré-diabetes e diabetes: quais são os valores?
| Exame | Normal | Pré-diabetes | Diabetes |
|---|---|---|---|
| Glicemia de jejum | < 100 mg/dL | 100–125 mg/dL | ≥ 126 mg/dL |
| TOTG após 1 hora | < 155 mg/dL | 155–208 mg/dL | ≥ 209 mg/dL |
| TOTG após 2 horas | < 140 mg/dL | 140–199 mg/dL | ≥ 200 mg/dL |
| Hemoglobina glicada (HbA1c) | < 5,7% | 5,7–6,4% | ≥ 6,5% |
Uma glicemia ao acaso igual ou superior a 200 mg/dL associada a sintomas clássicos de hiperglicemia também pode estabelecer o diagnóstico.
Existem situações específicas em que esses exames precisam ser interpretados de maneira diferente. Gestação, anemias, algumas alterações das hemácias e determinadas doenças podem, por exemplo, interferir na interpretação da hemoglobina glicada.

6. O que é pré-diabetes?
O pré-diabetes ocorre quando os níveis de glicose estão acima do considerado normal, mas ainda não atingem os critérios diagnósticos de diabetes.
Podem ser considerados pré-diabetes:
- Glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL;
- Hemoglobina glicada entre 5,7% e 6,4%;
- Glicemia entre 155 e 208 mg/dL após 1 hora no TOTG;
- Glicemia entre 140 e 199 mg/dL após 2 horas no TOTG.
O pré-diabetes aumenta o risco de desenvolver diabetes tipo 2, mas essa progressão não é inevitável.
Além da glicose, é comum existirem outros fatores de risco metabólico, como obesidade, hipertensão ou alterações do colesterol. Por isso, a avaliação não deve se limitar a um único resultado de exame.
Pré-diabetes pode voltar ao normal?
Sim. Algumas pessoas com pré-diabetes conseguem retornar aos valores considerados normais de glicose.
Atividade física, alimentação adequada e redução do peso quando existe sobrepeso ou obesidade podem contribuir para isso.
Mesmo quando ocorre retorno à normoglicemia, o risco futuro de diabetes pode continuar aumentado, sendo importante manter hábitos saudáveis e acompanhamento periódico.
Pré-diabetes precisa de medicamento?
Nem todas as pessoas com pré-diabetes precisam utilizar medicamentos.
Mudanças no estilo de vida e o tratamento do excesso de peso, quando presente, são fundamentais.
Em pessoas com maior risco de progressão para diabetes, o uso de medicamentos pode ser considerado de acordo com fatores como idade, grau de excesso de peso, níveis de glicose, histórico de diabetes gestacional e outras características clínicas.
A decisão deve ser individualizada.
7. Diabetes tipo 2 tem cura? É possível entrar em remissão?
O diabetes tipo 2 é considerado uma doença crônica. Entretanto, algumas pessoas podem alcançar a chamada remissão do diabetes.
De maneira geral, considera-se remissão quando a hemoglobina glicada permanece abaixo de 6,5% por pelo menos três meses sem o uso de medicamentos para reduzir a glicose.
Remissão não significa cura definitiva. A glicose pode voltar a aumentar no futuro, especialmente se houver recuperação do peso perdido ou progressão da doença.
Como é possível alcançar a remissão do diabetes tipo 2?
A possibilidade de remissão está fortemente relacionada à perda significativa e sustentada de peso, principalmente em pessoas com menor tempo de evolução do diabetes.
Dependendo de cada caso, a perda de peso pode ser alcançada por mudanças no estilo de vida, medicamentos para o tratamento da obesidade ou cirurgia metabólica/bariátrica.
Nem todas as pessoas conseguem entrar em remissão, e isso não significa que o tratamento tenha fracassado. Mesmo sem remissão, melhorar o controle da glicose, do peso e dos demais fatores de risco traz benefícios importantes para a saúde.
Quem entra em remissão pode parar o acompanhamento?
Não.
Mesmo após a remissão, é importante acompanhar periodicamente a glicose e outros fatores de risco e manter as medidas que contribuíram para o resultado.
Além disso, o histórico de diabetes pode continuar sendo relevante para o acompanhamento de possíveis complicações.

8. Como é feito o tratamento do diabetes tipo 2?
O tratamento do diabetes tipo 2 deve ser individualizado.
A escolha da estratégia depende não apenas dos níveis de glicose, mas também de fatores como peso, presença de doenças cardiovasculares ou renais, risco de hipoglicemia, outras condições de saúde e características de cada pessoa.
O tratamento pode envolver mudanças no estilo de vida, controle do excesso de peso, medicamentos e, em algumas situações, insulina.
Alimentação e atividade física
Não existe uma única dieta adequada para todas as pessoas com diabetes.
De maneira geral, é importante priorizar uma alimentação que possa ser mantida a longo prazo, com maior presença de alimentos pouco processados, vegetais, fontes adequadas de proteínas e fibras e menor consumo de ultraprocessados e bebidas açucaradas.
A atividade física melhora a ação da insulina e contribui para o controle da glicose, saúde cardiovascular, manutenção da massa muscular e controle do peso.
As orientações devem ser adaptadas às condições e possibilidades de cada pessoa.
Controle do peso e tratamento da obesidade
Sobrepeso e obesidade são frequentes em pessoas com diabetes tipo 2 e podem contribuir para a resistência à insulina e para a progressão da doença.
Quando existe excesso de peso, sua redução pode melhorar o controle da glicose e de outros fatores de risco. Perdas de peso mais significativas podem, em algumas pessoas, contribuir inclusive para a remissão do diabetes.
Por isso, quando a obesidade está presente, ela deve ser tratada como parte do cuidado do diabetes e não apenas como uma recomendação genérica para “emagrecer”.
Dependendo do caso, o tratamento pode envolver mudanças no estilo de vida, medicamentos para obesidade e cirurgia metabólica/bariátrica.
Para saber mais sobre controle de peso e obesidade veja também: Canetas emagrecedoras funcionam? Guia completo sobre emagrecimento e tratamento da obesidade
Medicamentos
Existem diferentes classes de medicamentos para o diabetes tipo 2.
A escolha depende de fatores como glicose e hemoglobina glicada, presença de obesidade, risco de hipoglicemia, doenças cardiovasculares ou renais, efeitos sobre o peso, possíveis efeitos adversos, custo, acesso e preferências do paciente.
Por isso, não existe um único medicamento que seja o melhor para todas as pessoas com diabetes tipo 2.
Toda pessoa com diabetes tipo 2 precisa usar insulina?
Não.
A insulina pode ser necessária em determinadas situações, inclusive no diagnóstico quando existe hiperglicemia importante ou deficiência significativa de insulina.
Também pode ser utilizada posteriormente quando outros tratamentos não são suficientes ou não podem ser utilizados.
A necessidade de insulina não significa que a pessoa “falhou” no tratamento. O diabetes tipo 2 pode apresentar redução progressiva da capacidade do pâncreas de produzir insulina ao longo dos anos.
Dependendo da situação, o uso de insulina pode ser temporário ou de longo prazo.
9. Quais são os principais medicamentos para diabetes tipo 2?
Atualmente existem várias classes de medicamentos para o tratamento do diabetes tipo 2.
A escolha não deve considerar apenas quanto determinado medicamento reduz a glicose. Presença de obesidade, doença cardiovascular, insuficiência cardíaca, doença renal, risco de hipoglicemia, custo e acesso também podem influenciar a decisão.
Metformina
A metformina é um dos medicamentos mais utilizados no tratamento do diabetes tipo 2.
Ela reduz principalmente a produção de glicose pelo fígado e melhora a ação da insulina. É eficaz, tem baixo custo e apresenta baixo risco de hipoglicemia quando utilizada isoladamente.
Continua sendo uma opção muito importante, mas o tratamento atual do diabetes não exige que todas as pessoas sigam obrigatoriamente a mesma sequência de medicamentos. Em determinadas situações, outras classes podem ser priorizadas ou associadas desde o início.
Agonistas do receptor de GLP-1 e tirzepatida
Medicamentos dessa família ganharam destaque no tratamento do diabetes tipo 2, principalmente quando existe também sobrepeso ou obesidade.
A semaglutida é um agonista do receptor de GLP-1. A tirzepatida atua nos receptores de GIP e GLP-1.
Esses medicamentos podem produzir reduções importantes da glicose e da hemoglobina glicada e também favorecer perda de peso.
Alguns medicamentos dessa classe apresentam ainda benefícios cardiovasculares em determinados grupos de pacientes.
Inibidores de SGLT2
Os inibidores de SGLT2 aumentam a eliminação de glicose pela urina.
Além do efeito sobre a glicemia, determinados medicamentos dessa classe apresentam benefícios cardiovasculares e renais, sendo particularmente importantes em algumas pessoas com insuficiência cardíaca ou doença renal crônica.
Por isso, sua indicação pode ir além do simples objetivo de reduzir a glicose.
Outros medicamentos
Outras classes, como inibidores da DPP-4, sulfonilureias e pioglitazona, também podem ser utilizadas.
Cada medicamento apresenta vantagens e limitações. Algumas opções podem aumentar o risco de hipoglicemia ou favorecer ganho de peso, enquanto outras apresentam características diferentes.
Frequentemente, medicamentos de classes distintas são utilizados em combinação.
É possível começar o tratamento com mais de um medicamento?
Sim.
Nem sempre é necessário iniciar um medicamento e esperar que ele deixe de funcionar para acrescentar outro.
Dependendo dos níveis iniciais de glicose e hemoglobina glicada, das doenças associadas e dos objetivos do tratamento, uma combinação de medicamentos pode ser indicada desde o início.
O tratamento também pode ser modificado ao longo do tempo conforme a evolução da doença.
10. Ozempic e Mounjaro são medicamentos para diabetes?
Sim. Ozempic e Mounjaro são medicamentos utilizados no tratamento do diabetes tipo 2, embora tenham se tornado amplamente conhecidos também por seus efeitos sobre o peso.
O Ozempic contém semaglutida, um agonista do receptor de GLP-1.
O Mounjaro contém tirzepatida, que atua nos receptores de GIP e GLP-1.
Ambos podem reduzir a glicose e a hemoglobina glicada e também promover perda de peso, o que pode ser particularmente relevante em pessoas com diabetes tipo 2 associado a sobrepeso ou obesidade.
A escolha do tratamento, entretanto, não deve ser feita apenas com base em qual medicamento proporciona maior perda de peso. É necessário considerar as características do diabetes, outras doenças, benefícios esperados, possíveis efeitos adversos, contraindicações, custo e características individuais.
Ozempic, Wegovy e Mounjaro são a mesma coisa?
Não.
Ozempic e Wegovy contêm o mesmo princípio ativo, a semaglutida, mas são produtos com indicações e esquemas de tratamento próprios.
Já o Mounjaro contém tirzepatida, uma molécula diferente.
Por isso, embora esses medicamentos sejam frequentemente agrupados popularmente como “canetas para emagrecer”, suas indicações e objetivos terapêuticos precisam ser considerados individualmente.

11. Quais são as metas do tratamento do diabetes?
O tratamento busca manter a glicose adequadamente controlada e, ao mesmo tempo, reduzir o risco de complicações.
A hemoglobina glicada (HbA1c) é um dos principais exames utilizados para avaliar o controle do diabetes ao longo do tempo.
Para muitos adultos com diabetes, uma meta de HbA1c abaixo de 7% é uma referência frequentemente utilizada. Entretanto, essa meta não é igual para todas as pessoas.
Ela pode ser mais rigorosa em alguns pacientes e mais flexível em outros, considerando fatores como idade, tempo de diabetes, risco de hipoglicemia, outras doenças e características do tratamento.
Da mesma forma, valores frequentemente utilizados como referência para muitos adultos são:
- Glicemia antes das refeições: 80 a 130 mg/dL;
- Glicemia 2 horas após as refeições: abaixo de 180 mg/dL.
Esses valores são referências e não devem ser interpretados como metas universais.
Controlar o diabetes vai além da glicose
Um bom tratamento do diabetes tipo 2 não deve se limitar à hemoglobina glicada.
Dependendo das características de cada pessoa, também podem fazer parte dos objetivos:
- Controlar adequadamente a pressão arterial;
- Tratar alterações do colesterol e dos triglicérides;
- Reduzir o peso quando existe sobrepeso ou obesidade;
- Reduzir o risco de infarto e AVC;
- Prevenir ou retardar a progressão da doença renal;
- Evitar hipoglicemias e outros efeitos adversos do tratamento;
- Prevenir e identificar precocemente outras complicações do diabetes.
Por isso, duas pessoas com a mesma hemoglobina glicada podem precisar de estratégias de tratamento diferentes.
12. Quais complicações o diabetes pode causar?
Quando o diabetes permanece inadequadamente controlado ao longo do tempo, pode causar danos aos vasos sanguíneos, rins, olhos e nervos, além de aumentar o risco de doenças cardiovasculares.
O tratamento adequado e o controle dos demais fatores de risco podem reduzir a probabilidade de muitas dessas complicações.
Doenças cardiovasculares
Pessoas com diabetes apresentam maior risco de desenvolver doença cardiovascular, incluindo infarto e AVC.
Por isso, controlar fatores como pressão arterial, colesterol e tabagismo é uma parte importante do tratamento.
Doença renal
O diabetes pode comprometer progressivamente o funcionamento dos rins e é uma importante causa de doença renal crônica.
As alterações renais podem permanecer sem sintomas durante muito tempo. Exames periódicos de sangue e urina ajudam a identificar precocemente sinais de comprometimento dos rins.
Retinopatia diabética
O excesso de glicose ao longo do tempo pode lesar os pequenos vasos da retina, causando a chamada retinopatia diabética.
Como as alterações iniciais podem não provocar sintomas, a avaliação oftalmológica periódica permite identificar o problema antes que ocorram perdas importantes da visão.
Neuropatia diabética
O diabetes também pode causar lesões nos nervos, conhecidas como neuropatia diabética.
Uma das formas mais frequentes afeta principalmente os pés e pode causar dormência, formigamento, queimação ou dor. A redução da sensibilidade aumenta o risco de pequenos ferimentos passarem despercebidos.

Problemas nos pés
A combinação de neuropatia, alterações da circulação e dificuldade de cicatrização pode aumentar o risco de feridas e infecções nos pés.
A avaliação periódica dos pés e a identificação precoce de alterações ajudam a prevenir complicações mais graves.
É possível prevenir as complicações do diabetes?
Nem todas as complicações podem ser completamente evitadas, mas seu risco pode ser reduzido.
Além do tratamento adequado, o acompanhamento periódico permite identificar algumas alterações em fases iniciais, quando existem mais oportunidades de intervenção.

13. Quais exames uma pessoa com diabetes precisa fazer?
O acompanhamento do diabetes não depende apenas da medição da glicose. Alguns exames são realizados periodicamente para avaliar o controle da doença, identificar fatores de risco e detectar precocemente possíveis complicações.
A frequência e os exames necessários variam de acordo com o tipo de diabetes, tratamento utilizado, controle da glicose, idade, outras doenças e resultados anteriores.
Hemoglobina glicada (HbA1c)
A hemoglobina glicada é um dos principais exames utilizados para acompanhar o controle do diabetes ao longo do tempo.
Ela pode ser realizada com maior frequência quando o tratamento está sendo ajustado ou quando a glicose ainda não está adequadamente controlada e em intervalos maiores quando os objetivos estão sendo mantidos de forma estável.
Avaliação da função dos rins
O diabetes pode causar doença renal mesmo antes do aparecimento de sintomas.
Por isso, o acompanhamento costuma incluir:
- Creatinina no sangue e estimativa da taxa de filtração glomerular (TFG), para avaliar o funcionamento dos rins;
- Relação albumina/creatinina na urina, para identificar aumento da perda de albumina pela urina.
Esses exames permitem identificar alterações renais em fases iniciais e podem influenciar as decisões sobre o tratamento.
Colesterol e triglicérides
O perfil lipídico, que inclui colesterol e triglicérides, faz parte da avaliação do risco cardiovascular.
Em pessoas com diabetes, decidir se é necessário tratar o colesterol não depende apenas de o resultado estar marcado como “normal” ou “alto” no exame. Idade, presença de doença cardiovascular e outros fatores de risco também são considerados.
Avaliação dos olhos
O diabetes pode provocar alterações na retina antes que a pessoa perceba redução da visão.
Por isso, a avaliação oftalmológica com exame da retina faz parte do acompanhamento da doença. O momento de iniciar e a frequência das avaliações dependem do tipo de diabetes e dos resultados encontrados.
Avaliação dos pés
A avaliação dos pés ajuda a identificar alterações da sensibilidade, circulação, pele e outras condições que aumentem o risco de feridas.
Pessoas com maior risco podem precisar de avaliações mais frequentes e orientações específicas sobre os cuidados com os pés.
Outros exames podem ser necessários?
Sim.
Dependendo do tratamento utilizado, das doenças associadas e das características de cada pessoa, outros exames podem ser necessários.
Por isso, não existe uma lista única de exames que todas as pessoas com diabetes devam realizar na mesma frequência. O acompanhamento deve ser individualizado.
14. Preciso medir a glicose em casa?
Nem todas as pessoas com diabetes tipo 2 precisam medir a glicose em casa todos os dias.
A necessidade de monitorização depende principalmente do tratamento utilizado, do risco de hipoglicemia, do controle do diabetes e dos objetivos definidos para cada paciente.
Existem duas formas principais de acompanhar a glicose no dia a dia: a glicemia capilar, realizada com o glicosímetro, e a monitorização contínua de glicose, realizada por meio de sensores.

Glicosímetro e glicemia capilar
O glicosímetro mede a glicose em uma pequena gota de sangue, geralmente obtida na ponta do dedo.
Essa monitorização é especialmente importante para pessoas que utilizam insulina, principalmente quando são necessárias várias aplicações ao longo do dia.
Também pode ser utilizada em outras situações, por exemplo para investigar suspeitas de hipoglicemia, avaliar períodos de descontrole da glicose ou compreender como determinados fatores estão influenciando a glicemia.
Por outro lado, em uma pessoa com diabetes tipo 2 bem controlado, que utiliza medicamentos com baixo risco de hipoglicemia, medir a glicose várias vezes ao dia pode não ser necessário.
Mais importante do que simplesmente acumular medições é utilizar os resultados para orientar alguma decisão sobre o tratamento.
Sensores de glicose
Os sensores de glicose permitem acompanhar os níveis de glicose ao longo do dia e da noite sem a necessidade de realizar uma picada no dedo para cada medida.
Além dos valores de glicose, eles permitem visualizar tendências e variações ao longo do tempo, oferecendo informações que uma medida isolada não consegue mostrar.
A monitorização contínua é especialmente útil para pessoas em tratamento com insulina e pode beneficiar também alguns pacientes com diabetes tipo 2 em outras situações.
Entretanto, nem toda pessoa com diabetes precisa utilizar um sensor continuamente. A indicação depende do tratamento, das necessidades individuais, dos objetivos da monitorização, do acesso e do custo.
Com que frequência devo medir a glicose?
Não existe uma frequência adequada para todas as pessoas.
Alguns pacientes precisam acompanhar a glicose várias vezes ao dia ou continuamente, enquanto outros podem não precisar realizar medições diárias em casa.
O mais importante é definir por que, quando e por quanto tempo a glicose será monitorada, para que as informações obtidas sejam realmente utilizadas no acompanhamento do diabetes.
15. O que é hipoglicemia e quem tem maior risco?
A hipoglicemia ocorre quando a glicose no sangue cai abaixo do nível adequado. Em pessoas com diabetes, considera-se hipoglicemia quando a glicose está abaixo de 70 mg/dL.
Ela não acontece com a mesma frequência em todos os tratamentos. O risco é maior principalmente em pessoas que utilizam insulina ou determinados medicamentos que estimulam a liberação de insulina pelo pâncreas, como as sulfonilureias.
Outros medicamentos utilizados no diabetes tipo 2 apresentam risco muito baixo de causar hipoglicemia quando utilizados isoladamente.
Quais são os sintomas de hipoglicemia?
Os sintomas podem variar, mas os mais comuns incluem:
- Tremores;
- Suor;
- Palpitações;
- Fome;
- Fraqueza;
- Tontura;
- Dificuldade de concentração ou confusão.
Em episódios mais intensos, podem ocorrer alterações importantes do comportamento, perda de consciência ou convulsões.
Pessoas que utilizam tratamentos com maior risco de hipoglicemia devem receber orientações específicas sobre como reconhecer, prevenir e tratar esses episódios.
Por que evitar hipoglicemia faz parte do tratamento?
O objetivo do tratamento do diabetes não é reduzir a glicose a qualquer custo.
Metas muito rigorosas podem não ser adequadas quando aumentam excessivamente o risco de hipoglicemia. Esse é um dos motivos pelos quais os objetivos de glicemia e hemoglobina glicada precisam ser individualizados.
A ocorrência de hipoglicemias também pode indicar necessidade de rever doses, horários, alimentação ou os próprios medicamentos utilizados.
16. Quando procurar um endocrinologista para diabetes?
O especialista em diabetes é o endocrinologista. A avaliação com um endocrinologista pode ser especialmente útil quando existem dúvidas sobre o diagnóstico, dificuldade para controlar a doença ou necessidade de individualizar o tratamento.
Algumas situações incluem:
- Diagnóstico recente de diabetes, principalmente quando existem dúvidas sobre o tipo ou a melhor estratégia inicial de tratamento;
- Pré-diabetes associado a maior risco de progressão;
- Glicose ou hemoglobina glicada acima das metas apesar do tratamento;
- Necessidade de iniciar, combinar ou ajustar medicamentos;
- Uso de insulina ou necessidade de avaliar sua indicação;
- Sobrepeso ou obesidade associado ao diabetes;
- Episódios frequentes ou preocupação com hipoglicemia;
- Doença renal, cardiovascular ou outras complicações relacionadas ao diabetes;
- Dificuldade para conciliar o tratamento do diabetes com outras condições hormonais ou metabólicas.
Mesmo quando o diabetes está bem controlado, o tratamento precisa ser reavaliado periodicamente, pois as necessidades podem mudar ao longo do tempo.
17. Endocrinologista para diabetes em Ouro Preto – MG
Meu nome é Manuel Menezes. Sou médico Endocrinologista e Metabologista. Atualmente atendo consultas médicas na Clínica Sim (Avenida Juscelino Kubitschek, 48, no bairro Bauxita), incluindo acompanhamento de pessoas com diabetes tipo 2, pré-diabetes, obesidade e outras alterações endocrinológicas e metabólicas.
Durante a consulta, são avaliados o histórico de saúde, os exames realizados, os tratamentos já utilizados e os objetivos de cada paciente. A partir dessa avaliação, é possível definir ou ajustar o tratamento e estabelecer as metas e o acompanhamento necessários para cada caso.

18. Perguntas frequentes sobre diabetes tipo 2
Diabetes tipo 2 tem cura?
O diabetes tipo 2 é uma doença crônica, mas algumas pessoas podem alcançar a remissão.
Considera-se remissão quando a hemoglobina glicada permanece abaixo de 6,5% por pelo menos três meses sem o uso de medicamentos para reduzir a glicose. Isso não significa cura definitiva, pois o diabetes pode voltar.
Qual valor de glicose é considerado diabetes?
Uma glicemia de jejum igual ou superior a 126 mg/dL pode indicar diabetes.
Outros critérios incluem hemoglobina glicada igual ou superior a 6,5%, glicemia de 1 hora no TTGO igual ou superior a 209 mg/dL, glicemia de 2 horas igual ou superior a 200 mg/dL ou glicemia ao acaso igual ou superior a 200 mg/dL na presença de sintomas clássicos.
Em pessoas sem sintomas, geralmente é necessário confirmar um resultado alterado.
Pré-diabetes sempre vira diabetes?
Não.
O pré-diabetes aumenta o risco de desenvolver diabetes tipo 2, mas a progressão não é inevitável.
Mudanças no estilo de vida, atividade física e redução do peso quando existe sobrepeso ou obesidade podem reduzir esse risco. Algumas pessoas conseguem inclusive retornar aos valores considerados normais de glicose.
Quem tem diabetes tipo 2 precisa usar insulina?
Não necessariamente.
Muitas pessoas conseguem manter um bom controle com mudanças no estilo de vida e medicamentos que não são insulina. Em determinadas situações, entretanto, a insulina pode ser a melhor opção ou tornar-se necessária ao longo da evolução da doença.
A necessidade de utilizar insulina não significa que o paciente tenha “falhado” no tratamento.
Ozempic e Mounjaro tratam diabetes?
Sim. Ozempic (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida) são medicamentos utilizados no tratamento do diabetes tipo 2.
Além de reduzirem a glicose e a hemoglobina glicada, podem promover perda de peso, característica particularmente relevante quando existe também sobrepeso ou obesidade.
A indicação deve ser individualizada.
Quem tem diabetes precisa medir a glicose todos os dias?
Não.
A necessidade e a frequência da monitorização dependem do tratamento utilizado, do risco de hipoglicemia e dos objetivos de cada pessoa.
Pacientes que utilizam insulina frequentemente precisam de monitorização mais regular. Já algumas pessoas com diabetes tipo 2 bem controlado e em uso de medicamentos com baixo risco de hipoglicemia podem não precisar medir a glicose diariamente.
Diabetes tipo 2 pode ser controlado sem medicamento?
Em algumas pessoas, especialmente nas fases iniciais da doença, mudanças no estilo de vida e perda de peso podem ser suficientes para atingir as metas de controle por algum período.
Entretanto, muitas pessoas precisam de medicamentos, seja desde o diagnóstico ou ao longo da evolução do diabetes.
A necessidade de tratamento medicamentoso deve ser avaliada individualmente e não diminui a importância da alimentação, atividade física e controle do peso.
19. Diabetes tipo 2 pode ser bem controlado
O diabetes tipo 2 é uma doença crônica, mas existem atualmente diversas estratégias eficazes para seu tratamento. O diagnóstico precoce, a definição de metas adequadas e o acompanhamento periódico ajudam a controlar a doença e reduzir o risco de complicações.
O tratamento deve ser individualizado e sustentável a longo prazo, considerando as características, necessidades e objetivos de cada pessoa.
Referências
- Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes – Edição 2026.
[Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes] - Rodacki M, Cobas RA, Zajdenverg L, et al. Diagnóstico de diabetes mellitus. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes.
[Diagnóstico de diabetes mellitus – SBD] - Almeida-Pititto B, Dias ML, Moura FF, et al. Metas de controle glicêmico. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes. 2026.
[Metas de controle glicêmico – SBD] - Valente F, Lyra R, Albuquerque L, et al. Manejo do Diabetes Mellitus Tipo 2. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes. 2026.
[Manejo do Diabetes Mellitus Tipo 2 – SBD] - Riddle MC, Cefalu WT, Evans PH, et al. Consensus Report: Definition and Interpretation of Remission in Type 2 Diabetes. Diabetes Care. 2021;44(10):2438–2444.
[Consenso sobre remissão do diabetes tipo 2]

Matéria completa, excelente informação
O medico atente por convenio do PLAMAG?
Obrigado pelo elogio, Maria Helena. Que bom que gostou da matéria. A nossa colaboradora pode te passar todas as informações de consulta e tirar suas dúvidas pelo telefone e whatsapp 31997984491.
Boa noite achei ótimo saber que tem um profissional desta área em nossa cidade, pode nos ajudar muito.. ele atende convênio qual.
Olá Silvio! As doenças endócrinas, especialmente o diabetes, são muito comuns. E o diabetes, têm tratamento. Dr. Manuel já acompanha muitas pessoas com diabetes em Ouro Preto e Mariana. A nossa colaboradora pode te passar todas as informações de e tirar suas dúvidas sobre a consulta pelo telefone e whatsapp 31997984491.